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Por que o bloqueio do Estreito de Ormuz preocupa mercado e mexe com o petróleo?

Por Dario • 02/03/2026 15:36

Por que o bloqueio do Estreito de Ormuz preocupa mercado e mexe com o petróleo? Localizado entre Omã e Irã, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e é a passagem de cerca de 20% do petróleo bruto consumido globalmente

Roberto de Lira

02/03/2026 11h51 • Atualizado 35 minutos atrás

O Estreito de Ormuz (Wikimedia Commons)

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Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contar o Irã e as retaliações iranianas, que incluem não só lançamentos de mísseis e drones contra alvos militares e civis na região, mas também ameaças contra a navegação do Estreito de Ormuz, já tem levado a uma alta substancial nos preços do petróleo. Mas qual o motivo de uma interrupção no transporte de navios cargueiros em uma faixa estreita de mar pode causar tanta insegurança?

A estratégica posição geográfica é a resposta. O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Como lembrou um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), o estreito é profundo e largo o suficiente para acomodar os maiores petroleiros de óleo bruto do mundo, e é um dos pontos de estrangulamento mais importantes do planeta.

Pontos de estrangulamento são exatamente esses canais estreitos ao longo de rotas marítimas globais amplamente utilizadas e que são críticos para a segurança energética global. A incapacidade do petróleo de transitar por um grande ponto de estrangulamento, mesmo que temporariamente, pode criar atrasos substanciais no fornecimento e aumentar os custos de transporte, potencialmente elevando os preços mundiais da energia, diz a Agência.

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Embora a maioria dos pontos de estrangulamento possa ser contornada usando outras rotas,— frequentemente aumentando significativamente o tempo de trânsito — caso, por exemplo, do Canal de Suez, que teve períodos de interrupção nos últimos anos por conta de ataques da milícia Houthi do Iêmen no Mar Vermelho, obrigando o uso de longas e custosas rotas alternativas — alguns estreitos não têm essas alternativas práticas. No caso de Ormuz, nenhuma das soluções terrestres existentes – oleodutos, gasodutos, uso de caminhões – pode oferecer uma rota alternativa viável em caso de fechamento do Estreito.

Os cálculos são de que quase 90% do petróleo produzido no Golfo – que representam entre 20% e 30% do petróleo bruto mundial – sai da região em petroleiros que precisam passar por esse gargalo de 55 quilômetros de largura.

Entre 2022 e 2024, os volumes de petróleo bruto e condensado que transitaram pelo Estreito de Ormuz caíram 1,6 milhão de b/d, que foram apenas parcialmente compensados por um aumento de 0,5 milhão de b/d nas cargas de produtos petrolíferos.

A queda no trânsito de petróleo pelo estreito refletiu parcialmente a decisão da OPEP+ de cortar voluntariamente a produção de petróleo bruto várias vezes a partir de novembro de 2022, o que reduziu as exportações da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos (EAU).

Além disso, interrupções em 2024 nos fluxos de petróleo ao redor do Estreito de Bab al-Mandeb, que conecta o Mar Arábico ao Mar Vermelho, levaram a empresa nacional de petróleo da Arábia Saudita, a Aramco, a transferir os fluxos marítimos de petróleo bruto do Estreito de Ormuz, enviando-os por terra através de seu oleoduto Leste-Oeste até portos no Mar Vermelho. Além disso, mais capacidade de refino nos estados do Golfo Pérsico aumentou a demanda regional por petróleo bruto e transferiu alguns fluxos para mercados locais dentro do Golfo Pérsico.

Os fluxos pelo Estreito de Ormuz em 2024 e no primeiro trimestre de 2025 representaram mais de um quarto do comércio global de petróleo marítimo e cerca de um quinto do consumo global de petróleo e produtos petrolíferos. Além disso, cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito também transitou pelo Estreito de Ormuz em 2024, principalmente do Catar.

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Com base nos dados de rastreamento de petroleiros publicados pela Vortexa, a AIE diz que a Arábia Saudita transporta mais petróleo bruto e condensado pelo Estreito de Ormuz do que qualquer outro país. Em 2024, as exportações de petróleo bruto e condensado da Arábia Saudita representaram 38% do total dos fluxos de petróleo bruto de Ormuz (5,5 milhões de b/d).

Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 0,5 milhão de b/d de petróleo bruto e condensado de países do Golfo Pérsico através do Estreito de Ormuz, representando cerca de 7% do total de importações de petróleo bruto e condensados dos EUA e 2% do consumo de líquidos de petróleo dos EUA. Em 2024, as importações de petróleo bruto dos EUA de países do Golfo Pérsico atingiram o menor nível em quase 40 anos, à medida que a produção e importações domésticas do Canadá aumentaram.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem alguma infraestrutura que pode contornar o Estreito de Ormuz, mas isso pode apenas mitigar um pouco as interrupções no trânsito pelo estreito. Os oleodutos disponíveis normalmente não operam em plena capacidade.

A Saudi Aramco opera o oleoduto de petróleo bruto Leste-Oeste de 5 milhões de barris por dia, que vai do centro de processamento de petróleo Abqaiq, próximo ao Golfo Pérsico, até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

A Aramco expandiu temporariamente a capacidade do gasoduto para 7,0 milhões de b/d em 2019, quando converteu alguns oleodutos de líquidos de gás natural para aceitar petróleo bruto. Em 2024, a Arábia Saudita bombeou mais petróleo bruto pelo oleoduto Leste-Oeste para evitar as interrupções no transporte marítimo ao redor do Bab al-Mandeb.

Já os Emirados Árabes Unidos também operam um gasoduto que contorna o Estreito de Ormuz. Esse oleoduto de 1,8 milhão de b/d conecta campos de petróleo terrestres ao terminal de exportação de Fujairah, no Golfo de Omã. Em 2024, os volumes de petróleo bruto e condensados originados nos Emirados Árabes Unidos e atravessando Ormuz foram 0,4 milhão de b/d menores do que em 2022, pois as melhorias nas refinarias permitiram que mais petróleo pesado fosse refinado localmente.

Essas melhorias também permitiram que os Emirados Árabes Unidos aumentassem as exportações de seus graus mais leves de petróleo bruto, e o uso do oleoduto até o terminal de exportação de Fujairah aumentou. O aumento do uso do gasoduto para operações diárias limitou a capacidade excedente disponível para redirecionar volumes adicionais ao redor do Estreito de Ormuz.

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Roberto de Lira



Fonte: https://www.infomoney.com.br/mundo/por-que-o-bloqueio-do-estreito-de-ormuz-preocupa-mercado-e-mexe-com-o-petroleo/

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